Recentemente vi o vídeo sobre a “agressão” a um prisioneiro no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira (vídeo no Público). Receio que a minha opinião irá contra a maioria; eu não vi nada de errado, muito pelo contrário pareceu-me uma actuação bastante correcta das forças policiais. Passo a explicar.
Recordemos antes de mais, que falamos de um criminoso e não de um transeunte passeando pela rua. E por favor, não comecem a chorar pelos coitadinhos dos prisioneiros e pedir mais PS3 para eles se entreterem. Não me venham com a história que a prisões estão cheias de pessoas inocentes, até acredito que existam pessoas inocentes presas (a qualidade dos nossos juízes, como alguns recentes programas televisivos demonstraram, deixa muito a desejar), mas continuo achar mais correcto pensar “culpado, até prova em contrário” para as pessoas que realmente se encontram presas. Senão bolas, abram as portas e deixem-nos sair.
Ouço lá do fundo o velho argumento: “mas também são ser humanos, têm tantos direitos como nós”. Lamento mas não. Não discordo sobre o facto de serem seres humanos e de terem direitos, mas não têm os mesmos direitos que nós. “Nós” temos o direito de andar livres, “eles” não. Só ai está uma grande diferença de direitos e como é óbvio existem mais direitos que eles perderam. E o direito à dignidade? Bom, eles estão presos, metidos numas celas, logo ai acho isso pouco digno, por isso parece-me claro, que também perderam direito a pelo menos parte da sua dignidade. Isso não quer dizer que tenham perdido todos os seus direitos, não, longe disso, ainda retêm muitos direitos, como seja direito a serem ouvidos, a justiça, a serem alimentados, a não serem submetidos a punições cruéis e aqui voltamos ao nosso assunto em debate. Eu não vi nada cruel no vídeo, muito pelo contrário, as forças policiais demonstraram um cuidado e respeito bastante elevado.
Vejamos com atenção o vídeo:
Isto não foi uma agressão casual por um guarda prisional, ou algo feito às escondidas. Pelo contrario, foi feito pela força policial sem nada a esconder e que (muito sábiamente) documentou todo o encontro.
Alguém reparou por acaso, que a força policial se dirigiu ao prisioneiro com todo o respeito? Não o insultaram, trataram-no sempre por “Sr.”, não o agrediriam. Aliás, a primeira coisa que lhe dizem quando ele está no chão é para se acalmar que ninguém o vai magoar. Reparam também, que quando o prisioneiro é mudado de cela e transportado em peso, se ouve claramente os guardas a prestarem atenção para que o prisioneiro não bata nas portas e paredes? Isso não é a atitude de quem quer magoar uma pessoa, ou que se está marimbando para ela. É sim a atitude de alguém que está a fazer um trabalho e tem consciência do que está a fazer.
Repararam também que estava um médico (enfermeiro?) de prontidão? E que mal o prisioneiro foi seguro, este foi chamado de imediato para averiguar se o prisioneiro estava bem? E que no final, quando retiram as pontas de metal da arma eléctrica, mais uma vez o medico (enfermeiro) foi chamado e que o paciente foi tratado com todas as regras de higiene?
Espero que este “pormenores” não tenham passado despercebidos.
Já ouço comentários do género: “Pois, pois, tiveram muito cuidado, depois de lhe darem uma descarga eléctrica...” Ok, ok, vamos lá falar da descarga eléctrica.
Caso não saibam, levar com um taser não é nada de mais. Algumas das nossas queridas discotecas andaram há uns tempos com a mania de ter demonstrações disso nos seus palcos; as pessoas voluntariavam-se a levar com alguns segundos de taser. Ninguém se magoou e pelos visto muita gente achou piada (podem ver aqui mais sobre tasers Infografias JN).
Mas se acham o taser mau, então qual é a vossa sugestão? Lembro que estamos a falar de um preso que é agressivo (um dos policiais claramente diz isso ao médico e admoesta o prisioneiro para não se mexer). Talvez fosse melhor eles invadirem a cela e quando o prisioneiro desatasse a lutar, davam umas bastonadas e ficava tudo bem? Se calhar invadir era mau, não? Então ia só um ou dois guardas e quando o prisioneiro pregasse uns murrozitos na cara do polícia não havia problema, porque afinal um polícia pode levar murros, mas tadinho do preso.
Relembro, estamos a falar de um preso que partiu e sujou toda a sua cela; se viram o vídeo até ao fim, dá para ver claramente a “sujidade” nas paredes e portas e o lindo estado da cela. Espero que ninguém se lembre de dizer: “Pronto, pronto, a gente dá umas palmadinhas na mão dele e limpa e fica tudo bem.” Ou então “Nada de PS3 durante um mês”. É ridículo. Não é admissível, nem sequer de uma criança, quanto mais de um adulto.
Resumindo que isto já vai longo (TLDR: Too Long; Didn't Read):
Isto não foi uma acção policial impulsiva e cruel, foi antes uma acção policial bem pensada com o objectivo de minimizar o uso da força e garantir a segurança de todos os intervenientes (inclusive do prisioneiro).
Achei que a policia agiu da forma mais justa e humana possível, enquanto preservando a sua segurança. O prisioneiro não foi submetido a nenhum castigo corporal e a força (choques eléctricos) foi usada exclusivamente para segurar e imobilizar o prisioneiro enquanto este era movido. A saúde do prisioneiro foi assegurada pela presença de profissionais da saúde.
A meu ver (claro, é o meu Blog) qualquer outra forma de lidar com a situação seria muito pior, quer para as forças policiais (neste historia eles são os inocentes), como para o próprio prisioneiro.
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